terça-feira, 30 de março de 2010

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gosar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, de lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor, por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso qie seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos já foram enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja tão impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perde-lo e, no caso de assim naõ ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena ds pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianaças e lastimar as qe não puderam nascer.

Proura-se um amigo para gostar dos mesmo gostos, que se omova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira da estrada, de mato depois de chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou horando, mais que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

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